Publicado em 01/12/2015

Prêmio Jornada de Iniciação Científica do IBqM 2015

A Jornada de Iniciação Científica começou em 1978, estimulada pelo Prof. Giulio Massarani (COPPE), como um evento restrito ao CCMN/CT. Mais tarde ela se tornou uma atividade de toda a UFRJ,  chegando este ano a sua trigésima sétima edição.

Hoje o evento é chamado de Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica, Tecnológica, Artística e Cultural (JICTAC) e tem como objetivo proporcionar um espaço para para exposição e discussão dos trabalhos de iniciação científica, artística e cultural realizados na UFRJ, estabelecendo um produtivo intercâmbio entre alunos de graduação, pós-graduação, docentes e pesquisadores na UFRJ.

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Nos últimos anos, o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, visualizando o papel maior deste evento, que provoca e estimula novos talentos com vocação para ciência, resolveu realizar também uma premiação interna. Neste ano de 2015, 95 alunos do IBqM tiveram seus trabalhos inscritos na JICTAC. Destes, 10 foram escolhidos como melhores trabalhos nas suas sessões (para escolha do melhor trabalho são considerados: escopo do projeto, quanto do projeto foi desenvolvido durante o tempo de estágio do aluno, resultados, apresentação do trabalho e conhecimento do aluno sobre o mesmo).

Em uma sessão interna, realizada no dia 19 de Novembro de 2015, os alunos responsáveis por estes 10 trabalhos participaram de uma sessão de apresentação oral interna no IBqM. A disputa foi acirrada e, apesar da ideia ter sido que fossem escolhidos os três melhores trabalhos, ficamos com quatro! O primeiro colocado concorre ao prêmio do Centro de Ciências da Saúde, com chances de participar da final geral da UFRJ. Torceremos por ele!

Abaixo apresentamos os alunos do IBqM  que se destacaram na JICTAC 2015. Parabenizamos esses alunos e seus orientadores pela qualidade de suas apresentações e trabalhos. Desejamos que esses jovens talentos se mantenham firmes na sua decisão de fazer Ciência de ponta. De nosso lado, pretendemos sempre incentivá-los e apoiá-los no processo de se tornarem cientistas independentes!

A premiação interna se dará durante a reunião do Conselho deliberativo do IBqM em Dezembro deste ano.

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Os premiados desse ano foram:

1-Wallace da Silva Abreu
2-Gilbert de Oliveira Silveira
3-Douglas Lemos Ferreira e Izac Rios Neto

Leia abaixo os resumos apresentados pelos vencedores!

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EFEITO DE OLIGOSSACARÍDEOS DE DERMATAM 2,6-SULFATADO SOBRE A METÁSTASE E A TROMBOSE VENOSA ASSOCIADA AO CÂNCER
Wallace da Silva Abreu, Eliene Oliveira Kozlowski, Mauro Sergio Goncalves Pavao

A doença metastática e a trombose venosa associada ao câncer são as duas principais causas de morte entre pacientes com câncer. Recentemente, descobriu-se que o dermatam 2,6-sulfatado, extraído de ascídias Phallusia nigra, possui atividades antimetastática e antitrombótica apreciáveis, porém não possui atividade anticoagulante significativa, sendo assim interessante para o tratamento dos casos supracitados. Os efeitos observados do dermatam 2,6-sulfatado se devem a este polissacarídeo ser um ligante de P-selectina, inibindo a adesão entre células tumorais, que apresentam ligantes de P-selectina, e plaquetas, que impediria o reconhecimento e consequente destruição das células tumorais por leucócitos. Este polissacarídeo parece inibir também a trombose, provavelmente por meio da inibição da ligação de PSGL-1, expresso por leucócitos, à P-selectina de plaquetas ativadas, inibindo a adesão e ativação de leucócitos em trombos venosos em formação. Entretanto, por possuir alto peso molecular (~40kDa), o dermatam 2,6-sulfatado é de difícil absorção através dos tecidos, sendo necessariamente administrado por via intravenosa em um paciente. Este procedimento é invasivo e incômodo, representando algum risco ao paciente, se feito por pessoas sem o treinamento adequado, sendo interessante a administração por outras vias menos invasivas. Neste trabalho, nós produzimos oligossacarídeos a partir do dermatam 2,6-sulfatado por meio do protocolo de degradação de Smith, sendo o peso molecular desses oligossacarídeos produzidos menor que 8 kDa. Devido os efeitos antitrombótico e antimetastático do dermatam 2,6-sulfatado, é de grande interesse o estudo de seu efeito na trombose associada ao câncer. Para isto, observamos a necessidade doestabelecimento de um novo modelo de trombose venosa, em que o estímulo seja somente a estase, dando a oportunidade para que os eventos trombogênicos associados ao câncer possam ser devidamente avaliados. Para tal, a trombose venosa foi induzida cirurgicamente, por meio de redução do fluxo sanguíneo na veia cava inferior de camundongos C57Bl-6, por meio de nó com linha de sutura, utilizando-se agulha de insulina para manter o calibre da luz do vaso. As veias cavas estão sendo analisadas histologicamente, para avaliar a formação de trombos em 48h após a indução de estase. Este modelo será ainda repetido para estudo em animais que receberam células tumorais marcadas com fluorescência logo após injeção intravenosa ou dias após crescimento de tumor primário no dorso dos animais, após injeção subcutânea. O tratamento prévio destes animais com dermatam-2,6-sulfatado ou seus oligossacarídeos mostrará seus efeitos sobre os eventos supracitados.

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ENZIMAS SIMILARES À SERIL-TRNA SINTETASES EM INSETOS: O CASO DE AEDES AEGYPTI
Gilbert de Oliveira Silveira, Carla Polycarpo

Nós descobrimos as SLIMPS (seryl-tRNAsynthetase-like insect mitochondrial protein) durante uma busca pelas aminoacil-tRNA sintetases presentes no genoma de Aedes aegypti. As aminoacil-tRNA sintetases são enzimas que ligam o amionácido correto no RNA transportador correspondente para que ele (o aminoácido) possa então entrar na posição correta em uma proteina que está sendo sintetizada. Quando buscávamos pelas seril-tRNA sintetases de Aedes (a enzima que coloca o aminoácido serina no tRNA da serina), identificamos também dois outros genes cujos produtos se se pareciam com uma seril-tRNA sintetase (SerRS) mas apresentavam diferenças cruciais na sequencia primária que provavelmente os faria incapazes de carregar tRNAs de serina com serina. Apesar de já haver um trabalho mostrando que as SLIMPs de Drosophila realmente não têm atividade de SerRS, foi mostrado que também que elas são essenciais para a sobrevivência das moscas. Diante da importância dela para a vida de Drosophila, resolvemos investigar seu papel também em Aedes. No nosso caso vimos que a enzima é capaz de reconhecer aminoácidos, ainda não sabemos quais e nem qual a reação que envolve os mesmos. Estamos continuando nossas investigações, inclusive testando se as SLIMPs são também importantes para a sobrevivência de Aedes. Esperamos ter mais resultados em breve!

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O PAPEL DO METABOLISMO NA QUIMIORRESISTÊNCIA DE CÉLULAS DE LEUCEMIA
Lemos, D., Rodrigues M.F., Vidal R.S., Ketzer L.A., Rumjanek V.M., Amoedo N.D., Rumjanek F.D.

Leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia que atinge grande parte da população, cujo tratamento é a utilização de quimioterápicos que possuem respostas duradouras no combate à doença. No entanto, alguns pacientes adquirem resistência a algumas dessas drogas, dificultando a terapia. Este trabalho propõe-se a observar o comportamento metabólico de linhagens celulares de LMC sensíveis e resistentes a certas drogas, a fim de estudar relação entre metabolismo e resistência. Para isso, utilizamos três linhagens celulares: a primeira é uma linhagem celular derivada da efusão pleural de pacientes com LMC em crise blástica, denominada K562. As outras, por sua vez, são sublinhagens derivadas da primeira, e foram geradas a partir de uma seleção através dos quimioterápicos Vincristina e Daunorrubicina, sendo elas Lucena-1 e FEPS, respectivamente. Vale ressaltar que as linhagens apresentam uma progressão à resistência, sendo a FEPS a mais resistente dentre elas. Para esboçar o perfil do metabolismo dessas células, foram realizados ensaios de respirometria, quantificação de mtDNA, PCR em tempo real e, também, foi analisada a atividade de duas enzimas importantes para o metabolismo celular: Hexocinase-2 (HK2) e G6PDH (Glucose-6-phosphate dehydrogenase). Observou-se que as células resistentes possuem um fluxo de oxigênio e uma quantidade relativa de mtDNA menor que a K562. Além disso, a atividade da Hexocinase-2 não apresenta alterações significativas nas linhagens resistentes, tanto na fração citosólica, quanto na mitocondrial. Já na atividade da G6PDH observa-se um aumento significativo na FEPS em relação às outras duas linhagens. Por fim, constatou-se o aumento na expressão relativa de Hexocinase-2, Mitofusina-1 e UCP2 nas linhagens resistentes. A proteína UCP2 tem se mostrado um importante alvo relacionado à quimiorresistência celular, além de apresentar um possível papel ligado ao Efeito Warburg. Ainda, as proteínas Hexocinase-2 e G6PDH também apresentaram resultados interessantes, que possivelmente podem influenciar a resistência dessas células. Sendo assim, novos experimentos estão sendo feitos a fim de ampliar a caracterização metabólica das três linhagens, bem como ensaios que elucidem a relevância das proteínas citadas para a quimiorresistência.

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BALANÇO REDOX E SUA CORRELAÇÃO COM A ATIVIDADE DE CICLAGEM DE ADP/ATP PELA HEXOCINASE MITOCONDRIAL DURANTE O DESENVOLVIMENTO CEREBRAL
Izac Rios Neto, Antonio Galina

O cérebro é um órgão com a maior consumo de oxigênio e glicose por massa tecidual, possuindo alta propensão a formação de espécies reativas de oxigênio (EROS), mitocondrial. O cérebro é um dos maiores produtores de EROS, e curiosamente possui as menores atividades de enzimas antioxidantes. Sabe-se que a hexocinase ligada a mitocôndria cerebral modula a geração de EROS via potencial de membrana mitocondrial. Visto que alguma das defesas antioxidantes se alteram ao longo do desenvolvimento, nós resolvemos avaliar como se comportaria o sistema modulador de EROS pela hexocinase durante o desenvolvimento do cérebro. Usando mitocôndrias purificadas de cérebro de rato, mostramos que a produção de EROS aumenta mais de 20 vezes ao longo do desenvolvimento, o que é seguido de forma proporcional pela atividade da hexocinase, mas surpreendentemente não observado para as enzimas antioxidantes como glutationa peroxidase e glutationa redutase. Além disso, hexocinase é capaz de modular a geração de EROS desde o sétimo dia pós natal sugerindo um papel central na modulação de EROS e na formação do cérebro.

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Por Carla Polycarpo

“The important thing is not to stop questioning. Curiosity has its own reason for existing.” – Einstein